Fantasias passageiras.

18:20

Muitos não acreditam que essa história de "deixar rolar" existe, e eu deixo que pensem assim, porém pra mim viver deste modo a vida se torna leve, e me leva junto com ela; eu estou querendo ficar só comigo, realinhar os pensamentos que estão flutuando no espaço que é minha mente, e só conseguirei com o auxilio da paz, já que não se pode abrir a cabeça e com os dedos colocar cada pensamento em seu lugar, até porque o lugar em si nem eu nem você sabemos, temos que esperar as respostas, se é que elas chegam claras e se é que chegam... as vezes eu e você temos que fazer o tipo detetives. 
E aí eu saí, pra quebrar a rotina, pra ver pessoas novas, mas isso não quer dizer que elas sejam divertidas do tipo que eu gostaria de conhecer, mas saio. Afinal, não estou deixando rolar? Isso inclui não ficar pensando se vai ser legal ou chato, se vão gostar de mim ou não, resumindo: eu faço o que eu quiser sem pensar em milhões de coisas antes, que se fosse, eu nem iria fazer. 

Pra felicidade de todo mundo, todos estavam felizes. É aquela história de cerveja pra lá, risada pra cá, piadas, histórias, conversa jogada fora. Eu estava ali e ri, porque é divertido e não por conveniência. Me convidam pra tirar fotos, me tratam bem e até me servem um pedaço de pizza, e junto me chamam de "querida". Me rotulam daquilo que já estou acostumada e eu nem ligo, porque até gosto. Só dou aquele risinho de canto, enquanto estou do lado da minha melhor amiga mexendo no celular ao mesmo tempo que conversando com as pessoas em volta. 

Atualizo o Instagram, visualizo os snapchats que recebi e as conversas do Whatsapp, e continuo conversando com minha amiga pensando em trocentas outras coisas, e falando com os outros, enquanto vejo o que está passando na tv; eu tento prestar atenção. Até presto, e quando vejo, minha amiga está com o carinha lá, eles discutem e eu tento prestar atenção ali também pra saber o que está acontecendo, mas logo eles se entendem. E eu continuo ali sentada, e um cara resolve sentar do meu lado. Um cara com qual mal troquei algumas palavras noutra hora resolve vir puxar papo, e dá a desculpa que antes tinha mais gente, aquela hora estava passando o jogo, eu sou envergonhado... E pra continuar o papo, eu finjo que acredito, porque cadê a vergonha... homem é sem vergonha mesmo pra mentir que está com vergonha. Não parece até piada? 

(Eu lembro dele sentado no sofá carregando o celular e me olhando com os olhos azuis, eu sabia que ele viria, e veio. Intuição feminina? Não. Olhar de homem não nega os fatos, só comprova.)

Eu não sei sobre o que falar. Mas começo. Deixo que o papo role, descontraí como sei e agi naturalmente. Falei do que mais sei: da minha vida e ele da dele; e aí o assunto se esvai e ele coloca o braço por trás de meus ombros e tira por diversas vezes. 

Chega a hora de ir, e diferente daquela outrora, eu sento no banco da frente porque o carinha que é a fim da sua melhor amiga pede, e eu? Eu vou, ué. Engraçado que ele respeita toda minha história, e dirige com calma. Tá tocando uma música, e ele troca, pra deixar o clima mais ameno, e a nossa volta vai ser embalada ao som de Armandinho, e também a de nossa voz de fundo.

Perto de um cruzamento, o silêncio se quebra, e ele elogia meu cabelo, de forma meio desajeitada, mas diz que pensava que não era tão loiro e tão bonito quanto é pessoalmente, e eu rio, e dou uma olhadinha de canto porque ele está dirigindo. Chegando no cruzamento, o sinal fica vermelho. Digo que é coincidência. Ele passa a mão no meu cabelo, e eu fico sem jeito (super normal eu ficar assim). Começa a parecer história de filme. Ele coloca as mãos no meu pescoço, me coloca perto dele, nos olhamos e ele me beija e eu não nega. Enquanto isso o sinal continua vermelho. Paramos porque a qualquer hora poderia ficar verde, mas ainda não... e ele com a voz bonita diz que "ainda não ficou verde...", e nos beijamos mais, mas eu paro e olho que o sinal abriu. Chegando perto da minha casa, ele brinca e da umas voltas ao redor até estacionar no mesmo lugar de sempre. Me beija mais uma vez, e eu vou embora. Chego em casa e rio. E depois de tanto tempo, escrevo;

Mas ainda nenhum homem me deu saudade, nem ele. 




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