After.

02:04

Imaginando como tudo vai ser depois, estou agora, sentada na minha cama encostada na parede gelada do meu quarto com o notebook nas minhas coxas, escutando minha tia no quarto ao lado roncar e com um friozinho na barriga do meu pai levantar e vir me mandar dormir porque está tarde. O sono não vem, ou pode ser que eu pense demais e atrapalhe seu caminho. Acabei de ver as fotos de uma garota pela qual eu fui quase que "trocada". Ela é bonita, ele deve amá-la, é o mínimo que eu espero. Não é que dói, eu sinto uma coisa diferente, e também não é vingança. É uma coisa do tipo: eu quero viver. Eu estou vivendo, obscuramente. Não quero assim. Quero mostrar que estou aqui. "Ei, eu to aqui viu?". Quero dar o meu melhor, até quebrar a cara eu estou aceitando. Só não quero mais sentir dor e sofrer. Acaba com a gente literalmente.

É difícil reconstruir e colocar tudo no lugar, as vezes algumas coisinhas ficam fora e nunca vão voltar. Tristeza é quase que minha companhia, e não é de todo mal, ela tá comigo e me mostra que existe felicidade, que também está do meu lado sempre. Posso estar triste, mas nem que seja de um segundo um sorriso mais ou menos saí. Preciso das duas para estar no nível "certo".


Como será que vai ser depois? Eu sei que vai ser bom, eu vou fazer que fique bom. Vontade eu tenho de sair sorrindo, contagiar o próximo com a minha felicidade e falar: "Viu, eu existo!". Falar para aqueles que me esqueceram ou que não deram muita bola ou que não quiseram mais saber de mim por qualquer outro motivo.

Chega de pouco, restos, menos, mais ou menos. Não sou nada disso. Quero mais, sou mais, sou eu. Eu sou tudo. Quem sabe o tudo de alguém. Quem sabe... ninguém sabe. Mas de uma coisa eu sei, a felicidade está me esperando ansiosamente pra gente embarcar nessa viagem chamada vida. Eu estou indo, cara limpa, coração e posso dizer, cabeça também. Medo? Tenho, de sofrer de novo. Mas não penso mais nisso. A minha coragem é demais perto do meu medo, então ele se esconde. Cabelos louros ao vento e avante. Vou indo, sem fim, com algumas paradas, sem rumo, ao lado da minha companheira incessante: a excelentíssima senhora felicidade. Eis aqui a verdadeira, a que ninguém conheceu ao todo conquistando o seu lugar ao sol mais uma vez. 

Viver é essencial. Para mim não é só ter o coração batendo, a respiração pela boca e pelo nariz, é você ser um conjunto e estar bem fazendo ou não fazendo nada. 

Não me abalei com a foto que vi, é que o casal me inspira a escrever. Estranho né? Depois de tudo que passei eu quero muito. Tudo. Principalmente viver a minha vida, e como eu sempre fiz, o que eu nunca vou mudar, com um sorriso no rosto que é minha marca. Sem ele, ninguém me reconheceria e nem ligariam. 

Nem eu tenho noção de toda a transformação que eu vivi, mesmo sendo a minha. Realmente eu nasci de novo. Falo isso porque tudo em mim não é mais pequeno e não aceita mais esmola. Não é dinheiro, é sentimento mesmo. Como ninguém compra metade de uma bolsa, metade de uma blusa, nem metade de um creme, nem metade de travesseiro, eu não quero mais nada dos outros que venha cortado e picotado. Se é amor, vai ser amor, pelo o que eu sei não existe meio-amor né? Ufa, eu sabia que não. Ninguém tem meio coração também. Tudo tem que ser intenso pra ser verdadeiro, provado com atitudes e poucas palavras. Quem muito fala, nada diz.

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