Vida é fluxo, não congestionamento.

23:45

Engraçado, quando deixo fluir, assim como não me importo mais com a chuva e nem em acordar as seis da manhã para ir à escola, tudo parece e realmente fica de uma maneira doce e louca bom de se viver.

Eu era de esperar demais, dificilmente me cansava, criava muitas expectativas em cima de coisas estagnáveis, nas mais breves palavras esperava do que no fundo eu sabia que não iria ter retorno algum; era quase como se eu não vivesse neste universo e não conhecesse as pessoas e como elas são. Quando me dava por conta que já estava tarde para que algo viesse, me decepcionava. Mas sabe, nem eu mesma me mexia. Não gosto de ficar recordando, nas minhas lembranças parece que não me vejo de tanto que cresci, me remodulei, me tornei uma pessoa da qual eu tenho muito orgulho em ser e sei que quem está ao meu lado - amigos de muitos anos atrás e os de hoje que parecem antigos - sentem o mesmo. 

Se eu estou feliz por mais essa conquista? Era o que eu tinha em mente, porém parecia que cada vez ficava mais longe e meus passos pequenos fizeram com que ficasse impossível conseguir qualquer coisa. Mas isso não quer dizer que deixei de criar expectativas. As crio, moderadamente, em cima do que eu tenho (quase) certeza que pode dar certo, pensando sempre positivo, indo atrás com todas as minhas armas, fazendo de tudo para que eu atinja o meu objetivo e que aconteça, exatamente, ou melhor do que eu esperava. Não têm como dar errado. 

Estou sendo levada pela vibração do som da vida, do vento, da música. Lulu, Caetano, Tim, Maurício, Marjorie e bandas internacionais. Cada milésimo da minha vida posso dizer que sofrem de bipolaridade: cada um tem uma música pra chamar de sua. Não me imagino ficar sem escutar "As horas" da Marjorie:

Eu vejo nas horas, o que não se vê, me perco lá fora, pensando em você! Um dia eu aprendo e mudo de rumo [...]
Ou "Apenas mais uma de amor" do maravilhoso Lulu que se eu fosse um quebra-cabeça seria a peça chave:

Eu gosto tanto de você, que até prefiro esconder, deixar subentendido, como uma ideia que existe na cabeça e não, tem a menor obrigação de acontecer [...] Pode até parecer fraqueza, pois que seja fraqueza então! A alegria que me dá e se vai sem eu dizer. Se amanhã não for nada disso, caberá só a mim esquecer. E o que eu ganho e eu o que eu perco ninguém precisa saber [...] 

Ou ainda "Sozinho" do glorioso Caetano, é triste, dá vontade de chorar e muitas vezes eu entro no embalo e deixo que algumas lágrimas se livrem da prisão que é minha face:

Às vezes no silêncio da noite, eu fico imaginando nós dois. Eu fico ali sonhando acordado, juntando, o antes, o agora e o depois. Por que você me deixa tão solto? Por que você não cola em mim? Tô me sentindo muito sozinho... Não sou nem quero ser seu dono, é que um carinho às vezes cai bem [...] Quando a gente ama, é claro que a gente cuida [...]
Mas mais lindo é uma música do Tim na voz rouca do romântico Maurício. Merece até um vídeo aqui, mesmo que estamos no outono 





Falando em chuva, vou dormir a sua melodia está noite, reconfortante e analgésica, era o que estava faltando depois de dias secos. Seria uma noite mais agradável se alguém, cujo meu amor, aquele platônico estivesse na minha cama me esperando. Faz um pouco de frio, eu poderia dormir entrelaçada a seus braços... espero sonhar algo assim.

Reconstruída, descansada e pronta para mais uma semana, vou deixar que a vida me leve, assim como canta Zeca Pagodinho. Sempre quis ter mente e corpo aptos para dizer com toda a segurança: vida, me leva. Hoje que tenho, digo, alto e em pensamento também. Deixando que tudo flua como se deve, sem me desesperar, fazendo o que eu mais bem sei fazer, que é viver e deleitar-me de tal feito. Consigo ver tantos e todos os resultados que esperei, que minha esperança hoje é de tamanha proporção que não se tem mais como medir. Vejo sinais de que estou fazendo o certo, para mim, mesmo que no fundo, uma dor me perturbe, me perfure e cause danos. Me desliguei, tirei de mim tudo que não prestava, desmaterializei, sumi com tudo, não deixei quaisquer rastros. Ficou o que tinha que ficar, viverei o que está guardado para mim, e creio, que são infinidades de maravilhas que estão a minha espera. Como diria Renato Russo (lembrei de você Roberta):

Quem acredita, sempre alcança!

Contenho em mim doses elevadas de esperança, ela é a minha droga. Me dá uma sede de vida, viciei. Digo que vivo pela vida, ela é linda. Já me veio a música do saudoso Gonzaguinha, "O que é, o que é?"





Depois de uma dose de música popular brasileira, está na minha hora. Hoje me rendeu surpresas, um tanto que boas eu diria, pois me tiraram sorrisos e me mostraram que não existe nada, absolutamente nada, que possa me parar.

Talvez muitos precisem de alguns choques, ou só de parar se quer um segundo, e dizer para si mesmo, que é capaz. Pare e reflita. Não lhe sobra tempo? Comece arranjando um. Acreditar em si, é o grande segredo e o primeiro grande passo.

Como manda o manual da vida, já está tarde, até já passou da minha hora. Deixo-me livre para que a vida me leve, deixo fluir seguindo o fluxo dos bons ventos, me direcionando a cama para enrolar-me em meus lençóis e cobertores, e a dormir, abraçada com um dos travesseiros com o intuito de preencher a falta de alguém que eu nunca tive e dificilmente terei.

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