O conjunto todo me interessou.
00:07
Lá vou eu escrever novamente sobre ele que nem quer saber de mim. Querer até quer, mas não do jeito que eu quero que ele saiba. Acho que deu pra entender. Ele sempre me diz que eu já devo estar de saco cheio de vê-lo, sendo que ele nem sabe que eu daria tudo para poder vê-lo todos os dias. E quando ele fala que vai demorar pra gente se ver, eu fico na espera. Espera essa, de só ficar perto, sem poder ter intimidades, tendo que ficar a uns centímetros longe, sem gestos bruscos, sem mostrar interesse e olha que isso é o mais difícil, porque sempre acabo dando bolas foras. Ele me diz oi tão intensamente, que eu pensei que... não, nunca foi nada do que eu pensei. Corta. Ele me chama de linda, minha linda, de amor, meu amor, de anjo, meu anjo e eu? Chamo-o de senhor ou somente pelo nome, pois essa liberdade ele já me concedeu. E quando acho que não pode piorar, ah, sempre piora. E o pior de tudo, é que a minha boca fica a pouquíssimos centímetros da dele, e os seus olhos, ficam olhando os meus fixamente. Eu desvio sempre que consigo, sempre que posso, sempre. Invento desculpas pros meus enrasques, digo que é a luz que me incomoda. Mas não é. É o que eu sinto. É o que eu não deveria sentir. Sempre que posso acho uma maneira de intervir.
Nossa, como ele conversa, poderia passar horas trocando ideias, conhecimentos, mas queria trocar mesmo é carinho. Carinho no cabelo, ele no meu colo, beijinhos... Ele me acha tão frágil, e por isso faz suas mãos, mãos de seda. Até um dia desses, me fez carinho. E eu nem gosto... imagina se gostasse. Ele também ri, aquele riso frouxo, riso lindo, riso espontâneo, riso que acalma, e ele ri olhando pra mim. Sem contar, as milhares de vezes que ele me faz rir quando eu não posso, e é isso que eu gosto nele. Sempre de bem com a vida. Mas quando ele está cabisbaixo, intrigado, estressado, nervoso, emburrado, chateado, ou com a cara amarrada eu noto. Ele fica mais bonito ainda. Já contei como a voz dele é linda? Parece uma melodia. Ele é convencido também. Com toda a razão.
Descobri que ele ouve as mesmas músicas que eu, será que é destino? Não acredito nisso. Não em razão a ele. É só coincidência mesmo.
Agora, se eu disser, que lá na frente, daqui a alguns anos, eu achar que pode sim, algo acontecer, não é mentira, pois eu acho que pode. Mas agora não. Nunca desejei o mal de ninguém e afinal, eu cheguei depois, apesar de sentir muito.
Já contei que adoro o jeito que ele se veste? Fica tão charmoso quando chega de social no trabalho e quando coloca o jaleco fica com um ar de autoridade, mas que ele não consegue manter nem por cinco minutos. Poderia falar tanto dele, mas tanto, que eu não saberia nem mais o que escrever, mas sei que ainda restariam palavras. Costumo falar sério quando brinco com ele, mas ele se quer nota. No dia que notar, talvez seja tarde demais. Ou talvez eu abandone tudo pra ficar ao lado dele, ou talvez eu nem sei porque há tanto talvez que talvez eu nem sei se terá tanto talvez pra que talvez possa talvez acontecer. Ai, é muito talvez. Minha vida todinha é assim. Não tem sim ou não pro tempo, tem talvez. E talvez ele possa ser meu. Mas ele já é meu, sem mesmo saber. Talvez, ele nunca ficará sabendo. Quem sabe se eu publicar, ele ler e... talvez.
0 comentários